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 Missa

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MISSAS DO HOMEM ARMADO 
Dramatização e arranjos de José Eduardo Rocha  

 

Missa L'Homme Armé - Guillaume Dufay (1397-1474)  Audio 

Missa L'Homme Armé (Sexti Toni) - Josquin Desprez (c.1440-1521)

 

 

A Missa era a forma musical mais importante para os compositores da Ars Nova e Renascença. Durante a Idade Média, a música tinha evoluído da monodia gregoriana para a polifonia vocal e instrumental. Em termos modernos, diríamos que a missa era o contexto onde os compositores aplicavam mais significativamente os seus esforços criativos.

Algumas missas caracterizavam-se por usarem um tema base - o cantus firmus - geralmente tomado de empréstimo, e que funcionava como uma espécie de viga melódica sobre a qual se construía o edifício polifónico. A fonte podia ser sagrada ou profana; depois era isorritmicamente tornada irreconhecível e colocada, com o texto litúrgico, nas vozes interiores (tenor e alto) ao longo da missa, unificando assim as várias partes: Kyrie, Gloria, Credo, Sanctus & Agnus Dei.

No século de Joana D`Arc, em plena guerra dos 100 Anos, com a soldadesca à solta pelos campos, estava na moda em toda a Europa a canção popular “L`homme armé”, que, segundo alguns, era de origem inglesa e da autoria de Robert Morton. Esta canção serviu de cantus firmus a muitas missas que passavam a designar-se pelo nome da melodia que tinham por base. (Na nossa versão, o cantus firmus é teatralizado.)

Quase todos os grandes compositores renascentistas entre os séculos XV e XVI - Dufay, Ockeghem, Josquin Desprez, Obrecht, Palestrina, entre outros - escreveram missas do homem armado. Mas a tradição continuou até à actualidade com compositores como Peter Maxwell Davies e Thierry Pécou.

 

Guillaume Dufay (1397-1474) Josquin Desprez (c.1440-1521)

Guillaume Dufay, um dos primeiros grandes mestres franco-flamengos, foi pioneiro no uso de canções populares em missas de cantus firmus, como a missa L'Homme Armé (c. 1450), obra que sobreviveu através de livros iluminados. Mas cinquenta anos depois, já na era da música impressa, Josquin Desprez - “o príncipe dos compositores” - inovou a tradição, alargando o cantus firmus às outras vozes, em missas como L'Homme Armé (Sexti Toni), publicada em 1502 pelo editor Petrucci de Veneza. 
São estas as missas do Homem Armado que “celebramos” cénica e musicalmente, em arranjos especiais com instrumentos de plástico e brinquedos musicais.


Ensemble JER

Leonor Areal, triplum
Nuno Silva, duplum
Alexandre Pedro, cantus
José Eduardo Rocha, altus
José Lopes, motetus (l'homme armé)
Francisco Suspiro, tenor
Armando G. Pereira, bassus

Artista convidada

Margarida Marecos, superius


Em 1999, a Missa do Homem Armado de Dufay foi apresentada no Auditório Municipal de Vila Real de Santo António, no Conservatório de Faro, na Sé de Lisboa, no Festival de Teatro da Guarda e na Criativa 99 em Beja. Em 2000, já foi apresentada no Teatro Garcia de Resende em Évora, na Universidade de Aveiro, na Universidade da Beira Interior (Covilhã) e na Universidade do Algarve (Faro).
Em 2000, A Missa do Homem Armado (Sexti toni) de Josquin foi apresentada na Gala Novos Talentos, na Fábrica da Pólvora de Barcarena e na Expo 2000 de Hannover (Pavilhão de Portugal).

 


IMPRENSA

in Público, 30-7-99

Ensemble JER na Sé de Lisboa
Missa com Soldadinhos de Plástico

Por FERNANDO MAGALHÃES
Sexta-feira, 30 de Julho de 1999

FotoO Ensemble JER interpreta esta noite na Sé de Lisboa, pelas 22h, a "Missa do Homem Armado", de Guillaume Dufay, um compositor franco-flamengo do século XV. Dufay foi pioneiro no uso das canções populares em missas de Cantus Firmus, em que a mesma melodia servia de base à totalidade da peça. O concerto é o último desta temporada organizado pela Galeria Zé dos Bois. Um óptimo recital de música antiga em perspectiva num recinto a condizer.

Contudo, para os mais académicos, um aviso: é possível que se sintam chocados com a demonstração de originalidade e criatividade do universo musical que, desde 1990, ano da sua fundação, JER e o seu grupo de músicos/performers percorrem. Porque um concerto do Ensemble JER constitui inevitavelmente um manifesto de humor - no sentido mais elevado do termo, de completa transfiguração do mundo - em forma de espectáculo e vice-versa. Jogo ambíguo que espanta, choca e atrai. Por isso convirá responder a algumas perguntas prévias.

O que é um saxofone JER? Quem é Wagner-JER? O que é, e para que serve, o Ensemble JER? É preciso Jer para crer. JER é José Eduardo Rocha, compositor, arranjador, ideólogo, frequentador assíduo das lojas de brinquedos e mentor do Ensemble com o seu nome, o Ensemble JER, também designado por Os Plásticos de Lisboa.

O Ensemble JER foi incumbido de uma missão (para mais pormenores consultar o endereço http.//www.ip.pt/~ip267096/home.htm). É um "grupo de artistas-músicos especialmente formado para interpretar um reportório criado e dirigido por José Eduardo Rocha e destinado a uma organologia especial que inclui instrumentos de plástico, brinquedos musicais, percussões e outros". Ao vivo, os elementos do grupo tanto podem aparecer vestidos como os antigos soldados romanos, como envergar mini-fraques vermelhos ou camisolas às riscas no estilo Freddy Kruger.

Um saxofone JER, percebe-se agora, é um instrumento de plástico, da marca Chicco ou Antonelli, mas nem por isso menos nobre que um reluzente Selmer submetido a banho de prata. Quanto a Wagner-JER é "Volkswagner", clone de plástico de "Os Mestres Cantores de Nuremberga", obra do genial compositor romântico Richard Wagner, cuja versão-JER teve a sua estreia mundial em 1996 no Teatro Maria Matos. Entre as composições originais de JER incluem-se "Futebol", "Sinfonia Náutica" e "Piccola Sinfonia Pimba".

Esta noite será apresentada a missa "L'Homme Armé", de Guillaume Dufay, compositor da Renascença cuja importância iguala a de Josquin des Prés ou Palestrina. "L?Homme Armé", canção muito em voga durante a Guerra dos 100 anos, com a Europa pejada de soldados, serviu de "cantus firmus" a uma série de missas que a tomaram como fonte de inspiração. Dufay foi um dos primeiros a fazê-lo.

Composta em 1450, a "Missa do Homem Armado" de Dufay está subdividida em cinco movimentos: "Kyrie", "Gloria", "Credo", "Sanctus" e "Agnus Dei". José Eduardo Rocha, o seu ensemble (Francisco Suspiro, Nuno Silva, José Lopes, Alexandre Pedro, Leonor Areal e Armando Pereira) e a cantora soprano convidada, Margarida Marecos, encarregar-se-ão de extrair dela o supra-sumo da espiritualidade, através do plástico, material sagrado por excelência.

Na primeira parte será apresentada uma "Suite Transmontana", composta por JER no ano passado. Ciclo de sete danças/"quadros que evocam uma viagem fabulosa", inspirada numa estadia de José Eduardo Rocha em Trás-os-Montes. "O castelo de Celorico", "O auroque de Foz Côa", "Rio de Onor", "A barragem da Serra Serrada" ou "A anta de Zedes" são alguns dos andamentos desta "suite" comprovativa de que a própria Natureza não seria tão bela sem a presença do plástico.

  


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http://jer.planetaclix.pt
Contactos: ensemble.jer(at)laposte.net
Todos os textos, arranjos, transcrições, ilustrações e design © JER
Página actualizada em 03 Março 2002