Peças do reportório para instrumentos de plástico
Área 2 (do Concerto para
Violino, 1931) - Igor Stravinsky (1882-1971)
Transcrição e arranjo JER
Bolero* (1928) - Maurice
Ravel (1875-1937)
Transcrição e arranjo JER
Suite
Transmontana (1998) - José Eduardo
Rocha
Viagens na Minha Terra I
Um ciclo de 7 danças / quadros que evocam uma viagem
fabulosa.
1. Abertura: O Castelo de Celorico
2. Giga: A Feira de Trancoso
3. Passacaglia: O Auroque de Foz Côa
4. Chacona: Rio de Onor
5. Sarabanda: A Barragem da Serra Serrada
6. Pavana: O Conde de Montesinho
7. Alemanda: A Anta de Zedes
Zara
(1998) - José Eduardo Rocha
(Inédito)
Um Moteto para seis vozes mais seis instrumentos sobre
um poema de Antero de Quental cantado em várias línguas, segundo edição
poliglota de 1925.
Fado (1999) -
José Eduardo Rocha
(Inédito)
Uma peça instrumental em três andamentos.
Tríptico Serrano
(1999) - José Eduardo Rocha
Viagens na Minha Terra II

Três serras em forma de peça unidas por um passeio.
1. Largo: Serra da Lousã
2. Jota: Serra do Açor
3. Allegro: Serra da Estrela
Missas do Homem Armado
Missa L'Homme Armé (c.1450) - Guillaume Dufay (1397-1474)
Dramatização e arranjo JER
Missa L'Homme Armé Sexti Toni (ed. 1502) - Josquin
Desprez (c.1440 - 1521)
Dramatização e arranjo JER
No século de Joana D`Arc, em plena guerra dos 100 Anos, com a
soldadesca à solta pelos campos, estava na moda em toda a Europa a canção
popular “L`homme armé”. Esta canção serviu de cantus firmus
a muitas missas.
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Bolero -
Maurice Ravel (1875-1937)
Segundo Manuel Rosenthal, Ravel definia o seu Bolero (1928) como uma
”partitura sem música”. Tudo tinha começado por uma encomenda ao
compositor (da célebre bailarina e empresária Ida Rubinstein), que no
entanto, três semanas antes da estreia, ainda não estava composta.
Parece que Ravel teria acalentado a ideia de orquestrar partes da Iberia
de Albéniz, mas, por não ter obtido a autorização dos herdeiros do
mestre espanhol a tempo, a situação tinha-se arrastado. E de repente
– com os cartazes na rua a anunciar um novo ballet – ao nosso
compositor não restava senão uma alternativa: escrever uma peça onde
não houvesse realmente grandes problemas composicionais a resolver, e
fazer rapidamente algo que resultasse, usando um dos recursos mais
prestigiados do seu enorme métier: a orquestração (e neste
sentido o Bolero é um verdadeiro tratado). Quanto à famosa
forma com a repetição obsessiva do mesmo tema – apesar de tudo uma
longa melodia dividida em duas partes interessantes – não é
meramente primitiva, mas tem raízes na tradição clássica,
sobretudo naquelas formas baseadas em danças curiosamente de origem ibérica
: a chaconne, a passacaglia, o ostinato e o bolero
(Chopin compôs um).
No meu ponto de vista, o Bolero ainda tem outros aspectos
interessantes, como um certo dadaísmo residual, não necessariamente
aquele relacionado com a ideia de um “fim da arte” à maneira de
Duchamp ou de Schwitters, mas mais como um Satie ou um Schulhoff, com a
introdução de elementos de “baixa cultura”, de paródia e de
provocação para “épater le bourgeois” (que aliás tem em França
antecedentes em Offenbach ou em Chabrier). No fim da vida, Ravel,
gravemente doente e incapacitado para trabalhar, mantinha-se lúcido
embora apático. Os amigos faziam tudo para o distrair, levando-o a
Marrocos ou a escutar concertos com a sua música transmitidos pela rádio.
Conta-se que uma dessas vezes, depois de ouvir o Bolero, ao contrário
do que era habitual nos últimos tempos, Ravel começou a rir de uma
maneira diabólica declarando: “Ah! Quand
je pense quelle bonne blague j’ai jouée au monde musical!”.
No meu arranjo para plásticos (1997) – que metaforicamente também é um
tratado sobre as possibilidades dos toy instruments – tentei
reacender a frescura dadaísta dos primeiros tempos do Bolero,
antes de o cinema, a televisão, a rádio, o disco e a sociedade de
consumo em geral terem transformado essa obra singular numa espécie de
dança sexual e num produto banal, insuportável e cabotino.
JER
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